sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mr Butterfly


Em 2009 foi como se eu tivesse quebrado camadas e camadas de cascas, todas muito duras e difíceis e antigas.
Nos últimos dias, foi super estranho. Comecei a perceber uma parte de mim que eu já não lembrava mais: um cara forte, com brilho, que tentava seduzir todo mundo. Antes eu era assim. Eu vivia disso.

Sempre ando no mesmo lado da rua, aqui em Copacabana.
Mas ontem, atravessei e fui lá pro outro lado, o que eu nunca andava. O lado do sol. Aí eu decidi: de agora em diante, vou andar sempre pelo lado do sol. Daqui pra frente, só quero andar pela luz. Chega de escuridão.
Foi isso o que aconteceu.
Só foi muito triste nós termos nos afastado nessa altura da vida, que, você sabe, passa como um avião a jato.
Nós dois terminamos o ano longe um do outro, tendo que se dar tchaw. Como dois teletubbies.


Foto - Jôka P.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

2009. O ano em que faremos contato.


Não tenho do que me queixar. Foi "o" ano. Comprei minha independência. Terminei velhos amores. Estou no aguardo de novos. Teve True Blood. Teve Eric. Teve Alexander Skarsgård.


Teve você aqui, eu com você. Enfim. Nós.


Coisas ruins ? Não vamos falar delas. Dizem que deixa manchas na pele e provoca coisas estranhas no figado. Eu preciso da minha pele pra sensualizar em 2010. E do meu figado pra beber. Melhor conserva-los.

Tim Tim.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

maior canalhice de 2009: Ryan O'Neil paquerar Tatum, 35 anos, sem perceber que se tratava de sua filha, durante o velório de Farrah Fawcett.

melhor sorvete: iogurte de limão e tangerina, do Itálica

maiores vícios: Seinfeld (forever), Twitter, e requeijão Aviação. Voltei a fumar, mas é certo que não estarei fumando mais antes de 2010 começar.

Dos poucos filmes que assisti em 2009.

Melhor ator: Sean Penn, por Milk.


Ponto.
Janeiro: igual a dezembro... eu demoro a perceber que estou num novo ano.
Fevereiro: Entrei no vermelho.
Março: fiz aniversário mais uma vez.
Abril: continuei no vermelho.
Maio: finalmente decidimos onde jogar as cinzas da minha mãe. Fizemos isso no dia do aniversário dela.
Junho: saí do vermelho, e decidi ceder e me jogar numa paixão.
Julho: me joguei na paixão.
Agosto: vivi dessa paixão.
Setembro: comecei a tropeçar na paixão.
Outubro: quebrei a cara.
Novembro: tentando me recuperar.

É claro que aconteceram outras coisas, boas e ruins, mas meu foco estava no cara. O que foi bom, porque quase nem percebi as coisas ruins. Por outro lado, também não vivi inteiramente as outras coisas boas. O balanço geral? Foi bom me apaixonar novamente :) O que quer dizer que vou entrar em dezembro totalmente sem foco. ahaha.

2009

Não emagreci.
Não fiz curso de corte e costura.
Não li os livros novos.
Não vi a novela nova.
Não mudei de emprego.
Não criei paciência.
Não perdi a piada.
Também não chutei o balde.
Não arranjei tempo.

Mas não tenho do que reclamar.
Por incrível que pareça, até agora (toc, toc, toc) 2009 foi um ano bom.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

É BOM


Não havia percebido, agora retrospectivas têm que ser feitas em novembro. O tempo anda passando tão mais depressa que dezembro já é pouco para saber de tudo que vai acontecer no próximo ano e nos outros também. E se acontecer algo de importante em dezembro, a gente não lembra direito, já que tem tanta novidade para saber... Mas retrospectivas pessoais são bacanas e independem de datas. Esse ano, por exemplo, parei definitivamente de fumar. Sério, não estou enganando a mim mesmo. Parei depois de dezenas de tentativas. Depois de todo aquele drama que todos relatam. Sobrevivi a mim mesmo. E agora, estou deixando o ar me respirar. É bom.
Consegui acabar com um relacionamento de 6 anos. Consegui entender que não é porque o outro tem bipolaridade, que eu tenho que estar ao lado dele. Venci o medo. Venci a dor. Venci a falta de amor. Venci o doente ciúmes.. Sai vitoriosa de afetos agressivos, de injúrias gratuitas e de um amor doentio. E o principal disse tudo? Nunca mais ninguém encosta o dedo em mim, sem desculpas de ter qualquer doença!

Tive medo de nunca mais amar. Já não amava tinha mais de 3 anos. E não é que em 2009, depois de 3 anos, o amor resolveu bater a minha porta?! To amando, sendo amada, aquele amor gostosinho, feliz, sem qualquer medo.. =)

domingo, 15 de novembro de 2009

Encontrei (pessoalmente) um amor que eu não sabia que já era promissor (há 12 anos via internet). Acho que esse é duradouro.
A distância, aprendi esse ano, é detalhe. O que importa é o que a gente carrega no coração e nas lembranças.

:)

retrô 2009

Embora eu só goste de fazer retrospectivas no finalzinho de dezembro, minha ansiedade é maior. Todo ano faço. Adoro. Filmes que eu vi, peças, lugares que fui, tudo. Este ano a coisa mais bacana que aconteceu foi meu irmão ter ficado bom. Sua saúde estava péssima e tudo se resolveu \o/

Toy Boy

Houve um tempo em que era moda dizer: “Só me arrependo do que não fiz”.
Esse arrependimento juro que não tenho.
Olhando pra trás, vejo que sempre fiz tudo o que fiquei a fim de fazer. E continuo fazendo.

Esse papo aqui é com você, que ainda há pouco reclamou comigo no telefone, que eu não tenho atualizado mais o blog, e tal. Taí.
Você, que, queira ou não, agora já faz parte dessa história que se passa em Copacabana. E que acabou desmentindo a máxima de Elie Wiesel, que um dia disse: “Depois de tudo o que já vivi, nada que me aconteça poderá me fazer muito feliz, nem muito infeliz.”


Ilustrações - Jôka P.

Tabela Internacional de Graduação do Macho

Um pouco de humor que ninguém é de ferro.

1 - ESPORTES
a.. Futebol, automobilismo, esportes radicais = MACHO
b.. Boliche, voleibol = TENDÊNCIAS GAYS
c.. Aeróbica, spinning = GAY
d.. Patinação no Gelo, Ginástica Olímpica = BICHONA
e.. Os mesmos anteriores, usando short de lycra = BICHONA LOUCA

2 - COMIDAS
a.. Capivara, javali, comida muito apimentada = CONAN
b.. Churrasco, Massas, Frituras = MACHO
c.. Peixe e salada = FRESCO
d.. Sanduíches integrais = GAY
e.. Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor = BICHA ASSUMIDA

3 - BEBIDAS
a.. Cachaça, cerveja, whisky = MACHO
b... Vinho, vodka = HOMEM
c.. Caipifruta = GAY
d.. Suco de frutas normais e licores doces = MUITO GAY
e.. Suco de açaí, carambola, cupuaçu, com adoçante = PERDIDAMENTE GAY

4 - HIGIENE
a... Toma banho rápido, usa sabão em barra = LEGIONÁRIO
b.. Toma banho rápido, usa xampu e esquece das orelhas ou do pescoço = MACHO
c.. Toma banho sem pressa e curte a água = HOMEM
d.. Demora mais de meia hora e usa sabonete líquido = TENDÊNCIAS GAYS PREOCUPANTES
e.. Toma banho com sais e espuma na banheira = VIADAÇO SEM CURA

5 - CERVEJA
a.... Gelada e em grandes quantidades = DESTROÇADOR
b.. Só cervejas extra, premium e importadas = HOMEM FINO DEMAIS
c.. Só uma às vezes para matar a sede = BICHICE SOB CONTROLE
d.. Com limão e guardanapo em volta do copo = BICHA
e.. Sem álcool = GAZELA SALTITANTE

6 - PRESENTES QUE GOSTA DE GANHAR
a.. Ferramentas = OGRO
b.. Garrafa de whisky = MACHO
c.. Eletrônicos, informática, roupas de homem = HOMEM MODERNO
d.. Flores = VIADO
e.. Velas aromáticas, perfumes,doces caramelados, bombons = DONZELA VIRGEM

7 - CREMES
a.. Só creme dental = GORILA
b.. Protetor solar só na praia e piscina = HOMEM MODERNO
c.. Usa cremes no verão = BICHA FRESCA
d.. Usa cremes o ano todo = BICHONA TOTAL
e.... Não vive sem hidratante = CONSTA NA FILA DE ESPERA DA OPERAÇÃO PRA TROCA DE SEXO

8 - ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
a.. Só dinossauros =BRUTO
b.. Tem um vira-lata que come restos da comida = HOMEM
C.. Tem cão de raça que só vive dentro de casa e come ração especial = BICHA
d.. O cão de raça dorme na sua própria cama = BICHONA TOTAL
e.. Prefere gatos = TOTALMENTE PASSIVA

9 - PLANTAS
a.. Nem pra comer = TROGLODITA
b.. Come algumas de vez em quando = RAMBO
c.. Tem umas no quintal, mas nem são regadas = HOMEM
d.. Tem plantinhas na varanda do apartamento = VIADO
e... Rega, poda e conversa com as flores do jardim = BICHONA PERDIDA

10 - RELAÇÃO COM ESPELHO
a.. Não usa = VIKING
b.. Usa para fazer barba = MACHO
c.. Admira sua pele e observa seus músculos = GAY
d.. Idem c, e ainda analisa a bunda = LOUCA
e.. Admira-se com diferentes camisas e penteados = TRAVECO

11 - PENTEADO
a.. Não se penteia ou rapa tudo = SELVAGEM
b.. Só se penteia pra sair à noite = HOMEM
c.. Penteia-se várias vezes ao dia = FRESCO
d.. Pinta o cabelo = BICHONA TOTAL
e.. Dá conselhos de penteados = BELA ADORMECIDA

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um belo filme

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

no momento da minha vida que eu mais precisei quem segurou minha mão foi um amigo gay. acho que não preciso dizer mais nada.
Arnaldo Jabor, no jornal O Globo de 7 de março:
"Brokeback" é um filme sobre heróis machos.Eu não queria ver o filme Segredo de Brokeback Mountain. Não queria. Ver filme de viados, eu? (Escrevo viado porque, como disse Millôr, quem escreve veado é viado). Muito bem; eu resistia à ideia, mais ou menos como o Larry David (o roteirista de Seinfeld) disse, num artigo engraçadíssimo, que tinha medo de virar gay se ficasse emocionado. O viado sempre encarnou a ambigüidade de nossos sentimentos. Claro que, hoje, os civilizados todos dizem que "tudo bem, que são contra a homofobia" e todo o bullshit costumeiro. Eu mesmo já fiz filmes em que viados são protagonistas, em que o ator principal escolhe o homosexualismo no final (Toda nudez será castigada), já filmei travesti em Eu te amo e em Eu sei que vou te amar, além da biba louca do O casamento, em que o grande ator André Valli dá um show inesquecível. Em todos os meus filmes há uma boneca ativa e digna. E, no entanto, eu não queria ver o tal filme do Ang Lee, apelidado pelos machistas finos de Chapada dos Viadeiros. Minhas razões eram mais discretas, intelectuais: "Ah... porque o Ang Lee é um cineasta mediano, ah... porque será mais um filme politicamente correto, onde o amor de dois caubóis é justificado romanticamente... Vou fazer o quê no cinema? Ver mais um panfletinho que ensina que os gays devem ser compreendidos em seu desvio? Não. Não vou", pensei. Aliás, eu sou do tempo em que os viados apanhavam na cara em plena rua. Havia pouquíssimos gays declarados no Brasil. No Rio, havia o Murilinho... cantor de fox em boates, havia o Clovis Bornay e poucos outros... O viado passava na rua sob os rosnados dos boçais prontos para lhes tirar sangue. E, no anonimato, enxameavam os pobres pederastas, de terno e gravata, pais de família se esgueirando nas esquinas, nas noites escuras, em busca de satisfação. Mais tarde, com o tempo, surgiram as bichas loucas, que se assumiam com um toque de autoflagelação, de autoderrisão, caricaturas da mãe odiada e amada, que berravam e desfilavam nos carnavais num freje humorístico, que até hoje alimenta nossos shows na TV. A bicha virou uma personagem clássica do humor, como os palhaços e os bacalhaus de circo. E tudo bem... são engraçados mesmo. Depois, com os direitos civis dos anos 60, surgiu a gay power, com homossexuais fortes e de bigode, malhados, cheios de orgulho. A viadagem virou um poder político importante, claro, mas até meio sério demais, aspirando a uma normalidade que contrariava sua missão trangressiva que tanto nos acalmava. Como disse Paulo Francis um dia, sacaneando-os: "se esses caras querem todos os direitos e deveres dos caretas como nós, qual é então a vantagem de ser viado?" Em suma, por mais que aceitemos os gays, eles sempre foram uma fonte de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade clara. O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a unicidade do desejo. A bicha louca ou o travesti, a biba doida ou o perobo, o boy, o puto, a santa, a tia, a paca, todos eles nos tranqüilizavam com suas caricaturas auto-excludentes. Já o gay sério inquieta. O gay banqueiro, o gay de terno, o gay forte, o gay caubói são muito próximos de nos, a diferença fica mínima. Por isso, eu não queria ver o tal filme dos caubóis. Como? Caubói de mãos dadas, dando beijos românticos, com tristes rostos diante do impossível? Não. Eu, não. Mas, aí, por falta de programa, distraidamente... (aí, hein, santa?...) fui ver o filme. E meu susto foi bem outro. O filme não me pedia aprovação alguma para o homossexualismo, o filme não demandava minha solidariedade. Não. Trata-se de um filme sobre o império profundo do desejo e não uma narração simpática de um amor desviante. O filmes se impõe assustadoramente. Os dois caubóis jovens e fortes se amam com um tesão incontido e são tomados por uma paixão que poucas vezes vi num filme, hetero ou não. Foi preciso um chinês culto para fazer isso. Americano não agüentava. Nem europeu, que ia ficar filosofando. Brokeback é imperioso, realista, sem frescuras. Eu fiquei chocado dentro do cinema, quando os dois começam a transar subitamente, se beijando na boca com a fome ancestral vinda do fundo do corpo. O filme não demandava a minha compreensão. Eu é que tinha de pedir compreensão aos autores do filme, eu é que tive de me adaptar à enorme coragem da história, do Ang Lee. Eu é que precisava de apoio dentro do cinema, flagrado, ali, desamparado no meu machismo tolerante. Eu é que era o careta, eu é que era o viado no cinema, e eles, os machos corajosos, se desejando não como pederastas passivos ou ativos, mas como dois homens sólidos, belos e corajosos, entre os quais um desejo milenar explodiu. Não há no filme nada de gay, no sentido alegre, ou paródico ou humorístico do termo. Ninguém está ali para curtir uma boa perversão. Não. Trata-se de um filme de violento e poderoso amor. É dos mais emocionantes relatos de uma profunda entrega entre dois seres, homos ou heteros. Acaba em tragédia, claro, mas não são vítimas da sociedade. Não. Viveram acima de nós todos porque viveram um amor corajosíssimo e profundo. Há qualquer coisa de épico na história, muito mais que romântica. Há um heroísmo épico, grego, como entre Aquiles e Pátroclo na Ilíada, algo desse nível. O filme não é importante pela forma, linguagem ou coisas assim. Não. Ele é muito bom por ser uma reflexão sobre a fome que nos move para os outros, sobre a pulsação pura de uma animalidade dominante, que há muito tempo não vemos no cinema e na literatura, nesses tempos de sexo de mercado e de amorezinhos narcisistas. Merece os Oscars que ganhou. Este filme amplia a visão sobre nossa sexualidade.