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domingo, 11 de outubro de 2009

Depois da viagem, as delícias do lar doce lar

Viajar é tudo de bom, mas melhor ainda é voltar pra casa. Não tem nada melhor que a nossa cama, os nossos travesseiros, nosso banheiro com TODOS os nossos cremes, nosso armário com TODAS as nossas roupas, bolsas e sapatos - não só as que a gente leva na mala. Que delícia o cheiro e o aconchego da nossa casa. Que coisa boa é ligar pros amigos e dizer "Cheguei"!

Deve ser herança de meu pai que não dormia fora de casa, e quando ia a Niterói fazia questão de voltar no mesmo dia. Não chego a este ponto, claro, mas o entendo perfeitamente. Sair da rotina, conhecer lugares e pessoas diferentes, tudo o que uma viagem possibilita, é maravilhoso e não abro mão deste prazer por nada deste mundo.

Mas, quando ouço alguém dizer que adoraria passar a vida viajando, fico me perguntando como é que pode... Quando converso com Sylvia e Jayro, que já viajaram por toda a América na sua Toyota, fico pensando que eu jamais curtiria uma aventura assim. O que gosto mesmo é de viagens curtas, de passar uns dias fora, uma, duas semanas, talvez, dependendo da distância. Depois disso, lar doce lar que ninguém é de ferro. Bem, eu, pelo menos, não sou. nunca fui.

sábado, 10 de outubro de 2009

Pelo Brasil

Nunca saí do Brasil, mas já fui de Fortaleza ao Rio Grande do Sul. Posso dizer as viagens que mais me marcaram em ordem cronológica e o motivo.

Fui para Fortaleza em 2002, com minha turma da oitava série do colégio na semana do meu aniversário. No dia mesmo, cantaram parabéns para mim numa boate, abriram uma roda e chamaram meu paquerinha. Eu tinha 15 anos e ali foi o meu primeiro beijo, na frente de todos os meus colegas, no dia do meu aniversário.

Em 2004, visitei a Chapada Diamantina também com o colégio. O lugar mais espetacular que já visitei, nunca vi montanhas tão grandes, nunca havia escalado um morro. E foi lá que percebi, na hora de dividir o quarto com as meninas, que eu não sabia mais ter amigas. Fui sozinha na cadeira do ônibus - bom, tinha um menino do meu lado, mas ele era a pessoa mais tímida que já vi e tinha fama de ser super bem dotado, mas enfim. Eu sei socializar, mas não manter amizades.

No Natal de 2004, visitei o Rio Grande do Sul só com minha família: pais, avós e irmão. Contratamos uma van com um guia, que nos levou para conhecer tudo. Chegamos em Porto Alegre, visitamos Caxias do Sul, ficamos em Bento Gonçalves, passamos o dia de Natal em Gramado e Canela. Foi tudo maravilhoso. Uma viagem simples, porém 10 dias que serviram para mostrar como nossa família é unida. A melhor parte: sem dinheiro para participar da ceia em restaurantes, fui com minha mãe a um supermercado, compramos pães, queijos, frutas e pedimos mesas e cadeiras na pousada. Tivemos a melhor ceia de Natal da minha vida.

Ano passado, fui para Brasília sozinha. Fiquei na casa da família de um primo do meu pai. Todos os dias, antes de ir pro trabalho, ele me deixava em algum ponto da cidade e me dizia pra onde eu podia ir. Fiz a minha viagem, conheci tudo o que eu queria, sozinha, com minha máquina, meu caderno e minha mochila. Andei do Congresso até o Conjunto Nacional, porque nenhum ônibus quis me pegar. Fui na feira do Paraguai. Tomei meu primeiro café na Mc Donald's. Peguei meu primeiro táxi sozinha. E faria tudo novamente se pudesse.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tem gente viajando só pra colocar as fotos no orkut. Nhé.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Vim, vi, venci

Já fui para muitos cantos deste mundodemeudeus. Poderia ficar falando de cada um deles, mas seria tedioso e também poderia deixar algum lugar injustamente de fora. Mas o que vale dizer é que cada viagem valeu a pena. Valeu por cada centavo gasto, cada centavo gasto a mais. Encontrar aquele lugarzinho escondido delicioso que não está em nenhum guia; comer aquela comidinha local; ouvir aquela língua ou sotaque tão único... Minhas viagens nunca aconteceram por acaso. Foram frutos da minha imaginação, da minha vontade e do meu esforço, que um dia concretizei (ou elas se concretizaram, sei lá). Por vezes, elas ficaram engavetadas durante anos por falta de grana ou oportunidade melhor. Mas quando chegou a sua hora, ah, foi uma delícia. Certamente deixou um sorriso meio bobo na cara em algum momento, tipo putz tô aqui - veni, vidi, vici.

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I ♥ New York

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"Todo cais é uma saudade de pedra."
-F. Pessoa

chegar e partir..

"Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero.."

Búzios / Rio de Janeiro


"Chegar e partir. São só dois lados da mesma viagem.."

Pra mim, o paraíso é lá!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

VIAGEM
(Taiguara)

Vai abandona a morte em vida em que hoje estás
Ao lugar onde essa angústia se desfaz
E o veneno e a solidão mudam de cor
Vai indo amor
Vai recupera a paz perdida e as ilusões,
não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
Vai faz de um corpo de mulher estrada e sol
Te faz amante
Faz meu peito errante
Acreditar que amanheceu
Vai corpo inteiro mergulhar no teu amor
E esse momento vai ser teu momento
O mundo inteiro vai ser teu, teu, teu

CAMPINHO DAS PERERECAS



Olha para você ver como é a ironia: longe das praias hedonistas de Ibiza ou das noites disco de Barcelona, a minúscula cidade de Campillo de Ranas - o "campinho das rãs" - situada a 90 minutos de carro de Madri, é a capital não-oficial do casamento gay da Espanha. Quer dizer, num lugar chamado de "campinho das pererecas", o prefeito, assumidamente gay, decidiu transformar a vila pobre e esquecida em um polo de casamentos gays, que acabou atraindo também os casamentos héteros. A experiência deu tão certo que virou documentário, "Campillo Sí, Quiero", que está sendo exibido em vários festivais de cinema gay e independente por todo o mundo. Para ler a matéria, inclusive com preços dos custos para se viajar para lá, clique aqui.

Notas sobre El baile

Cada vez que me levanto para sair em viagem sinto uma necessidade irresistível de ficar em casa. Como se cada viagem significasse o fim de uma etapa de minha vida, convertida numa perda irreparável. Não importa se viajo por prazer. Essa sensação - mistura de fracasso, melancolia e nostalgia antecipada - me acompanha sempre.

No caminho para o aeroporto de Torrejón vou lendo "El País" e "Les Inrocks". E sinto uma repentina e urgente necessidade de ler todos os livros que aparecem resenhados no suplemento literário "Babelia" ("El asombroso viaje de Pomponio Flato", de Eduardo Mendoza, "Dios no es bueno" de Christopher Hitchens... etc.), ver todos os espetáculos recomendados, comprar todos os discos que me atraem à primeira vista no "Les Inrocks", escutá-los todos, e selecionar os que me seduzem de imediato.
Cada vez que tomo o caminho para um aeroporto creio que estou abandonando minha própria vida, e que me vou à deriva.


"Mi filosofia del desplazamiento", 4 de abril de 2008 - Pedro Almodóvar.

Os Aeroportos



"Eu gosto profundamente de aeroportos. Gosto muito de observar gente nos aeroportos - e de ficar sentado a espera de aviões. Gosto de horários de aeroporto. Daquele ruído de fundo, do voltear, de gente que parte e chega, de gente que pernoita nos aeroportos aguardando o primeiro voo da manhã. Gosto de gente que lê livros, sentada em cadeiras desconfortáveis ou apenas cadeiras de aeroporto - livros irreais, histórias fáceis, romancistas de segunda e terceira categoria. Gosto de gente que perde voos e que fica sentada esperando o próximo. Gosto da Music for Airports, de Brian Eno. Gosto de iPod nos aeroportos. Gos­to de tabacarias onde se vendem jornais em línguas desconhecidas e de cidades sem geografia. Gosto de áreas de fumadores em aeroportos longínquos, de restaurantes banais, desproporcionados, sem decoração. Gosto daquela simpatia rara do check-in em companhias aéreas do Oriente. Gosto do som de cidades murmuradas nos altifalantes, como Denpasar, Darwin, Colombo, Guatemala, Anchorage, São Paulo, Helsínquia, Montevideu, Porto Alegre.

Os aeropor­tos atraem-me profundamente: gosto de escalas de três horas em aeroportos distantes do destine final. Gosto de livrarias e de cervejarias de aeroporto.Gosto da área de fumadores do aeroporto de Singapura, um jardim com piscina, rodeado de restaurantes, plantas exóticas, ventania que vem das pistas, o ar tépido e húmido, arrastado - e dos que esperam ali antes de embarcar para outro lugar desconhecido. Gosto das sanduíches de salmão com creme de queijo no Harrods do aeroporto de Lisboa. Gosto das livrarias LaSelva dos aeroportos brasileiros. Gosto da desordem selvagem de Madrid, em plena madrugada, quando chegam os voos da América Latina. Também gosto da madrugada do aeroporto de Amsterdão, ao chegarem os voos do Oriente. Gosto dos restau­rantes, do de Frankfurt e das lojas de compotas e conservas de Heathrow. Gosto da simplicidade comovente e fria do de Keflavík, na Islândia. Gosto da sensação absoluta do fim do mundo anunciado em Gandem, na Terra Nova canadiana - e dos pântanos que se vêem do ar, em pleno crepúsculo.

Já passei noites em aeroportos vazios, como na Cidade da Guatemala. Já adormeci em aeroportos cheios de gente, embalado pela passagem de gente perdida ou apenas procurando um voo, um destino, uma cidade de painel electrónico, um mapa turístico de tabacaria, um jornal de há três dias.

E há essas coisas que se levam de aeroportos: revistas, roupa amarrotada, o cheiro de uma viagem por fazer, uma sanduíche que é igual em todo o lado, as promessas de amor contrariado, as juras de amor eterno, os últimos beijos, o primeiro beijo, o derradeiro abraço, lagrimas, um riso aberto, retratos de cidades invisíveis e que nunca existiram.

E a claridade tranquila do aeroporto do Funchal. O ruído de altitude quando se chega à Cidade do México. O jazz inaudível quando se atravessa a porta das chegadas em Nova Iorque, sobretudo em JFK. As melodias. A musica que é igual em todo o lado, os hits que se vendem nas lojas de discos, os centros de Internet onde todos navegam no Yahoo ou no Hotmail, as filas intermináveis do aeroporto de Jacarta. As escalas em Miami. O chão de pedra do de Estocolmo. A musica dos Madredeus na chegada ao Ben Gurion, de Telavive. Os pavilhões de madeira e tule em Belize City, depois de uma tempestade nos recifes. O aeroporto de Ushuaia, na Terra do Fogo, diante da Antárctida, com flocos de neve caindo sobre o canal Beagle - o que nos transporta para a imagem de Darwin à proa do seu navio. O de Oaxaca, no México, e a Canción Mixteca ouvida numa loja de mezcal, tocada por uma orquestra de marimbas. Os atrasos nos aeroportos de Cabo Verde. O ar sufocante na chegada a Moçambique, irrespirável. A tepidez desconfortável e os ruídos de baratas e de grilos em Bissau, na Guiné. O cheiro de fritos e o fumo dos autocarros diante do aeroporto de Abid­jan, na Costa do Marfim. Um voo que parte numa madrugada de Outono aus­tral, em Buenos Aires. O casal que fica sentado entre passageiros felizes enquanto se aproxima a hora de o avião de um deles partir para sempre. O rosto e o corpo de uma mulher vistos através do vidro de uma zona de partidas, aquele ponto de não-retomo, Os discman, o walkman. O Herald Tribune de fim-de-semana. As escovas de dentes descartáveis. As coisas que amamos de um aeroporto, um rosto visto através do vi­dro, as despedidas breves."

Do blog de Sergio Aires. Junho de 2005.


Werther

Não sou de viagens. Contradizendo todo espírito aventureiro de sagitário, adoro ficar em casa. Tenho uma preguiça monstruosa de fazer mala, pensar no que tenho que levar (sempre levo 5 vezes o necessário e aí deve entrar meu TOCquinho) e fico mais cansada e irritada do que animada pra viagem.
Também não gosto de aviões. Na verdade, tenho pavor de aviões. Acho insalubre, tosco, anti-higiênico e cai. Vamos combinar que avião cai sim! A única vez que fui pra fora do país, tinha resolvido morar em San Francisco. Tolice. Fiquei lá 15 dias e voltei correndo. Não conheci nada. Era tola, eu já sei. Minha experiência internacional foi dentro do avião. Turbulência daqui até lá. Chegando, não tinha teto ou sei lá o que estava acontecendo, que levamos horas para descer. Levei dois dias (dos 15 que passei lá) tentando me recuperar do trauma e da tonteira. Depois de tanto saculejar, já pedia a Deus pro avião cair logo que eu queria descansar. Uia! Quero de novo não.
Mas a volta foi legal. Acho que, de dia, aviões são sempre menos assustadores. Voltei com uma moça ao lado que bebia todas, mas não perturbou não. Na época eu não bebia. Se bebesse, teria sido uma festa. Ela bebia e eu lia Werther. hoho... Lembro de nada, mas eu li todinho na viagem.
Agora pensando bem, eu levei Werther pra ler em San Francisco? Não podia dar certo. E ainda queria morar lá? Eu, hein.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mario Quintana

Paulo Leminski.

esta vida é uma viagem pena eu estar só de passagem.

Praia da Concha - Itacaré

Pescadores
acabou a hora do trabalho...

VIAGENS

Essa foto de Maromba me traz recordações deliciosas :)